sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Édipo, o  herói infeliz

Complexo de édipo



  A lenda de Édipo começa quando seu pai, Rei de Tebas, consulta o oráculo no Templo de Apolo, em Delfos. Ali fica sabendo que sua mulher, Jocasta, dará a luz um menino que matará o próprio pai. Voltando ao lar, Laio revela a esposa a trágica profecia.
  No dia do parto, temerosa do que possa acontecer, Jocasta da o filho a um cego, ordenando que o leve para bem longe. Aos pés do monte Citerão o servo entrega o pequeno príncipe a um pastor. O mesmo leva o menino para Corinto onde é adotado pelo Rei Pólibo. Cresce então, sobe o carinho do Rei e sua esposa, Mérope, tornando-se um jovem de grande sabedoria e beleza. Seus pais adotivos não se cansam de agradecer aos deuses pela oportunidade de educa-lo com espírito de justiça. Tal felicidade, entretanto, estava prestes a terminar. Em uma festa, Édipo ouve de um cortesão a história de sua verdadeira origem. Intrigado embora descrente da verdade, o príncipe decide descobrir quem realmente é, e de onde veio.
  Dirige-se a Delfos para consultar o oráculo, e dele ouve pessoalmente a trágica profecia: " As de matar teu  pai e desposar tua própria mãe".
  Convencido de que Pólipo é seu pai e Mérope sua mãe, o infeliz foge de Corinto para evitar que se cumpra a maldição. Em meio a viagem, porém, um desconhecido exige que se afaste do caminho, para lhe dar passagem. Ofendido, o jovem desafia o homem para um duelo e mata-o. O desconhecido era Laio. O destino juntara por acaso pai e filho  para cumprir a primeira parte da profecia maldita. Édipo, no entanto ainda ignora que matou o pai.
  Em Tebas, a esfinge apavora a população. Sentado em um rocha, o  monstro, metade mulher metade leão devora os que se atrevam a decifrar seu enigma. A inteligência de Édipo porem consegue vence-la. Envergonhada com a derrota, a esfinge se mata e os agradecidos Tebanos fazem de édipo seu rei.
  No palácio de Tebas, Jocasta chora ainda a morte de Laio. É ali que Édipo a encontra e se apaixona por sua beleza. O amor é correspondido e, sem que ambos conheçam a verdade, casam-se e tem quatro filhos.
  Alguns anos depois, uma peste se abate sobre o reino. Consultado o oráculo diz que o mal, só terminará quando o assassino de Laio for vingado.
  Desposto a salvar seu povo, Édipo recorre então ao adivinho Tirésias, e este lhe reserva a terrível verdade: O assassino de Laio era Édipo, atual Rei de Tebas.
  Ao conhecer toda a tragédia, Édipo sai a procura de Jocasta e encontra-a morta - enforcara-se ao compreender que se casará com seu filho.
  A cena é tão brutal que Édipo usa o broche de Jocasta para furar os seus olhos.
  Abatido pela desgraça, cego, Édipo é banido de Tebas. Indiferente a tudo, errante, ele espera apenas a morte. Um dia chega a Colona e um súbito estrondo no céu avisa-lhe que chegou a hora final. Logo a terra se abre docemente para acolher seu corpo, pondo fim a vida do mais infeliz dos Heróis Gregos.
  De acordo Freud, o criador da psicanálise, durante a infância todos os seres humanos ficam sexualmente obcecados por seus pais.   O menino se interessa pela mãe e tem ciumes do pai, enquanto o inverso ocorre com as meninas. Esse complexo de emoções afeta toda a nossa vida.
  Quando você indaga aos filhos com quem gostaria de casar? É bastante comum que o garotinho responda " com a mamãe". Nas meninas a resposta frequente é " com o papai".
  Os pais, e os adultos em geral costumam encarar essas manifestações das crianças como simples brincadeiras.
  Para os psicanalistas, no entanto, tais desejos podem expressar um impulso real da criança, impulso que a faz ver em um de seus genitores um rival sexual.
  Segundo Freud, esses sentimentos infantis, tem um desenvolvimento natural e se resolvem, quando a criança normal aprende a se identificar com o genitor de seu próprio sexo.
  Em alguns casos, porem, tais desejos subsistem no inconsciente do menino resultando em um amor excessivo pela mãe e um ódio e ciume patológico pelo pai. Freud denominou esse sentimento " Complexo de Édipo",  aproveitando a sugestão oferecida pela antiga Lenda Grega, segundo ao qual Édipo matou seu pai e casou-se, sem saber, com a própria mãe.   
   

  O mesmo ocorre com as meninas, elas se apaixonam pelo pai e podem manifestar um ciúme excessivo contra a mãe - desenvolvem ao que Freud chamou de " Complexo de Eletra", personagem de outra lenda da Mitologia Grega.
  Costuma-se dizer que os homossexuais, são geralmente muito apegados as suas mães. 
  As pessoas maduras, não se apaixonam e se casam por que encontraram no parceiro conjugal os requisitos de uma lista completa de qualidades, deveriam a priore ser seus atributos. O que na realidade pode acontecer com o homossexual é que ele não tenha conseguido livrar-se da atração sexual sentida por sua mãe, disso decorrendo seu comportamento. 
  Segundo Freud, todos os homens estiveram sujeitos, na infância , ao desejo sexual com relação a mãe. Assim o desenvolvimento psicológico masculino dependeria consideravelmente do ajustamento do indivíduo a tal desejo , nem sempre consciente. E seriam esses sentimentos socialmente " inaceitáveis", que seriam reprimidos em nosso consciente.
  A teoria Freudiana sobre o Complexo de Édipo, não pode ser cientificamente comprovada, pelo menos, da mesma maneira como se comprova uma teoria sobre os fenômenos químicos ou físicos. Se tal Complexo não é identificado em nós mesmos, dificilmente podemos reconhece-lo nas outras pessoas. Mas não ha dúvidas que a teoria de Freud pode ajudar a explicar alguns aspectos do nosso comportamento cotidiano.
  O estudo dos sonhos, por exemplo, pode fornecer informações muito úteis para constatar a existência do desejo Edipiano. Freud conta ter visto em sonho a mãe sendo carregada para o quarto e, depois, ser colocada em uma cama por dois indivíduos estranhos, altos e com bicos de pássaro. Ela parecia morta, mas tinha a expressão calma de quem dorme. Freud, que, tinha apenas, sete ou oito anos de idade, acordou gritando, tomado de forte ansiedade.
  Assim, o adulto Freud estaria apenas realizando inconscientemente em desejo do Freud menino, ou seja, violentar a própria mãe. 
     



3 comentários :

  1. Antes disso tudo temos Laio não resistindo a beleza juvenil do filho de Apolo enquanto ensinava o mesmo a dirigir carro.......

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  2. Ciclotron Irajá boa tarde, segundo a mitologia Grega, Laio em sua juventude se apaixonou por Crisipo, acompanhando-o nas olimpíadas, em seu retorno, Crisipo comete suicídio , e ali sendo jogada a maldição sobre Laio, no qual seu primogênito iria mata-lo e se casar com a própria mãe, e seguindo por várias gerações.

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    1. Penso então que Édipo (antes de tudo) é um mito homossexual. Na clínica escutei muitas estórias de relações amorosas entre homens casados mantidas em segredo numa espécie de pacto entre eles, cuja maioria apresenta problemas com relação aos seus filhos homens.

      Um dado também que reforça esse ponto de vista em relação ao mito Édipo é a sua capacidade em revelar o segredo da Esfinge tornando-se Rei de Tebas e ganhando a Rainha, sua mãe, como recompensa.

      Que dom carrega Édipo para resolver o enigma da natureza? O dom da união dos opostos. A integração perfeita entre pai e mãe, entre feminino e masculino, bem e mal. O resto é manobra política da época uma vez que poucos podem ser Rei.

      Grande abraço!

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