sexta-feira, 18 de outubro de 2013

 Narcisismo - Da antiga Grécia a nossa atualidade


  O primeiro estudioso a reconhecer e analisar detidamente o comportamento narcisista, foi Signud Freud. Foi ele também que cunhou o termo " narcisismo", tirando-o da mitologia Grega.
  Nos mitos antigos, Narciso é um jovem que perambula melancolia e desespero à de sua irmã gêmea ja morta. Um dia, sentado à beira de um lago, olha distraidamente para a aguá e vê sua imagem refletida. Sem perceber que se trata dele mesmo, apaixona-se pela própria imagem e sente-se reconfortado e feliz. A partir dai, volta sempre ao lago para adorar sua própria imagem, afastando-se de tudo o mais, inclusive da donzela Eco, que o ama apaixonadamente.
  Certo dia, ao declinar-se demais sobre as águas, Narciso cai e desaparece para sempre.


  Ao descrever uma criatura que passa a amar a si mesmo, a antiga lenda Grega - exprime simbolicamente uma das mais profundas realidades psicológicas, e que se encontra em todos nós de um modo ou de outro. Freud diz que todas as pessoas passam necessariamente por um período de amor voltado para si mesmo. Um bebezinho recém nascido, o mundo gira em torno dele próprio e suas necessidades físicas imediatas, mesmo quando, aos poucos vai tomando consciência dos  demais - primeiro da mãe, depois do resto da família - o faz apenas em termos dos serviços que as pessoas possam prestar a ele, a criança não concebe as pessoas como seres independentes, com suas próprias necessidades.
  Nessa fase, ela é totalmente egocêntrica, vendo o mundo como um conjunto de coisas que giram em torno dela própria.
  No curso da evolução normal, do  indivíduo, o egocentrismo inicial deve ser superado, mas as vezes isso não acontece. Freud aborda a questão de acordo com sua perspectiva sobre o desenvolvimento da personalidade. Para ele, uma faceta da personalidade do indivíduo pode estagnar numa certa época do desenvolvimento, se essa etapa não for vivida satisfatoriamente em todos seus múltiplos aspectos.
  Se um menino da fase Edipiana, por exemplo sofrer alguma pertubação emocional mais profunda, poderá ficar fixado para sempre na mãe, terá grandes dificuldades, para ligar-se a qualquer outra mulher, ficando afetado pelo que Freud denomina o Complexo de Édipo.
  Da mesma forma, narcisista, é aquele que permanece na fase do egocentrismo dos primeiros anos de vida. Prováveis causas para isso podem ser uma família infeliz ou instável, ou a falta do amor materno. Frequentemente, as conotações de dor e sofrimento originam-se simplesmente das dificuldades do próprio ato de crescer.
  Segundo as concepções freudianas o próprio fato de nascer, de sair da perfeição do ventre materno para a hostilidade do mundo exterior pode ser causa de fixação de um comportamento narcisista. 

    A criança, que não consegue chegar a ajustar-se a realidade, retira-se para o mundo de fantasia. Um menino solitário e introvertido pode inventar um amigo imaginário, alto e forte, que nunca ficou de castigo, tira as maiores notas da escola e é exímio jogador de futebol. Isso é relativamente comum e nada tem de anormal, em pouco tempo, o amigo imaginário é deixado de lado e substituído por outro de carne e osso. Em alguns casos, porém, isso não ocorre, e o narcisista incipiente não se contenta em inventar amigos extraordinários. Aos poucos, ele conclui que seria maravilhoso despertar a admiração de seu amigo imaginário e acaba adotando para si mesmo essa personalidade falsa.
  O narcisista tem, sobretudo, necessidade de amor e admiração; procura assegurar-se de que todos se ocupem dele, mas sendo muito inseguro, nunca está satisfeito. No intimo tem certeza de que jamais será amado e admirado como deseja, por isso volta toda sua capacidade de amar para si mesmo. No entanto, a alto estima não é uma solução totalmente eficaz. Em consequência o narcisista é sempre um imaturo, sem personalidade completa, uma criatura em constante sofrimento, como se fosse um ser dividido ao meio.
  Egocêntrico, o narcisista precisa focalizar todas as suas energias em si mesmo, precisa ser amado e reconfortado. Ele não pode sofrer danos emocionais, arriscando-se a amar alguém e expondo-se a ser rejeitado.
  Não tem disponibilidade das pessoas maduras, que dirigem suas energias para fora de si, para o amor heterossexual e para a criatividade.
  Narcisista tem como consequência uma série de problemas sexuais. O egocêntrico pode preferir o auto- erotismo, mas também pode voltar-se para a pessoa, muitas vezes do mesmo sexo, como forma de identificar-se com sigo mesmo. Isso não que dizer com tudo, que os narcisistas sejam sempre homossexuais. Pelo contrário, a maioria dos narcisistas, mantem exclusivamente relações heterossexuais, muito embora não se deixem envolver emocionalmente. O que mais os exita não é o parceiro, mas sua própria capacidade de praticar o ato sexual.
  Para casar-se, o narcisista exige uma mulher de sonho e facilmente se desencanta com a realidade de vela pela manhã, sem maquiagem, embora seja uma situação normal ao acordar.

  Em geral, as mulheres são mais propensas ao narcisismo do que os homens. Isso decorre do fator de nossa sociedade, em grande parte valorizar como feminina as manifestações exteriores do narcisismo. Um homem de maneiras afetadas e extremamente preocupado com sua aparência é reprovado, mas a mulher que se veste e se comporta rebuscadamente passa por ultra feminina.
  A mulher é constantemente encorajada a mimar-se, passar horas e horas em banhos perfumados, untar-se com os mais sofisticados produtos de beleza.
  Existem muitos tipos  de narcisistas, desde o hipocondríaco, tão preocupado com sigo mesmo, que a todo momento inventa doenças, para ser objeto de preocupação pelos outros, até o fanfarrão, que está constantemente chamando a atenção sobre si, com brincadeiras nem sempre oportunas.
  Desde a época da Grécia, até os dias atuais, homens e mulheres se preocupam muito com suas aparências, desde o fisiculturismo de seus corpos bem modelados, vestimentas, cremes, moda atual, calças apertadas, pantalonas, maquiagens e outros tipos de beleza.
  Quando o culto se torna doentio, como o caso de modelos com peso muito baixo, anoréxicas, que chegam a mortes súbitas ou sujeitas a tratamentos tanto de saúde, como de debilidade emocionais, problemas psicológicos, deixam a família desesperada.
  Tudo em seu devido lugar, dentro da normalidade, levam o indivíduo a desenvolver um comportamento e uma personalidade dentro dos padrões considerados corretos e normais, para que possamos ser seres felizes conosco mesmo.  




     

7 comentários :

  1. REALIDADE, TEMOS QUE NOS POLICIAR COM AS NOSSAS ATITUDES,SEJA QUALQUER MODO DE EGOISMO ,NOS É PREJUDICIAL.

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    1. Boa tarde Luiz Fernando, primeiramente muito obrigado pelo seu comentário, e desenvolvendo o assunto, todos nós devemos de ser um pouco narcisista, na dosagem adequada, para termos uma vida normal.

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  2. O narcisista tem, sobretudo, necessidade de amor e admiração; procura assegurar-se de que todos se ocupem dele, mas sendo muito inseguro, nunca está satisfeito. No intimo tem certeza de que jamais será amado e admirado como deseja, por isso volta toda sua capacidade de amar para si mesmo.
    - Mas quando isso acontece não tendo essa última parte!

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    1. Imagna Jóias, primeiramente gostaria de agradecer pelo seu comentário, e falando um pouco do assunto, o efeito seria uma baixa auto-estima, que deveria ter sido completada na fase Edipiana, trazendo seus reflexos para sua vida atual.

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    1. Rodrigo, muito obrigado pelo seu comentário, e espero sempre ter sua presença por aqui.

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  4. Muito bom o texto!
    e se pensarmos nas consequencias do narcisismo na vida da pessoa sao milhares de possibilidades consequenciais...
    obrigado por compartilhar

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